Criando filhos na era digital

A tecnologia de informação e comunicação tem revolucionado as nossas relações e comportamentos. As crianças e adolescentes fazem parte da geração digital e estão se conectando a este mundo cada vez mais cedo. Nem sempre é fácil perceber os problemas trazidos pelo uso abusivo de tecnologia, pois os atalhos digitais já fazem parte da rotina de muitas famílias.

Em um estudo realizado em 2015 com crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, foi visto que 80% deles eram usuários de internet e em 83% dos casos o celular era o principal dispositivo de uso. Desses, 37% afirmaram ter visto alguém ser discriminado na Internet e 20% afirmaram ter sido tratados de forma ofensiva, o que caracteriza o cyberbullying. Nesse estudo, 41% dos pais afirmaram saber pouco sobre a atividade de seus filhos na internet, o que denota problemas de segurança e privacidade frente a uma rede de informações totalmente acessível e incontrolável.

Motivada por esses dados alarmantes, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou em 2016 um Manual de Orientação sobre a Saúde da Criança e do Adolescente na Era Digital, no qual faz algumas recomendações aos pais, pediatras, crianças e jovens sobre o uso racional da tecnologia.

O tempo de exposição diário deve ser proporcional à idade da criança e à etapa de desenvolvimento, não sendo indicada a exposição passiva para menores de 2 anos durante as refeições e 1-2 horas antes de dormir. Para crianças de 2 a 5 anos, é indicado no máximo 1 hora de exposição diária, podendo chegar a 2 horas nos mais velhos.

Devem ser adotadas medidas regulatórias de segurança para limitar a exposição a conteúdos inapropriados para a idade. Hoje, pode-se lançar mão de programas que servem de filtros de segurança e monitoramento para palavras ou categorias ou sites.

No caso dos adolescentes, deve-se desestimular períodos muito longos de isolamento em seus quartos para uso da Internet e tentar garantir horas saudáveis de sono e incentivar atividade física regular.

Os pais devem, acima de tudo, conversar com seus filhos(as) sobre os conteúdos presentes na Internet e nas mídias sociais, compartilhar suas preocupações e os motivos pelos quais regulam o seu uso. O primeiro passo para que as crianças e adolescentes respeitem as regras sobre o uso de tecnologia é entender por que elas são importantes e necessárias. A abertura para dialogar sobre os conteúdos veiculados na rede também é fundamental .

Por fim, vale lembrar que nada substitui o convívio em família, os finais de semana no parque, as férias na casa da avó, as brincadeiras ao ar livre. Não podemos permitir que a tecnologia nos faça perder algo tão precioso. Vamos lembrar que a vida fora das telas é extremamente rica para todos!

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

 

Paula Pasqualucci – Pediatra (CRM-SP 163.053)

 

 

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